| Planeta dos Macacos - A Origem |
| Dom, 16 de Outubro de 2011 16:47 |
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Filme: Planeta dos Macacos - A Origem (Rise of the Planet of the Apes, EUA, 2011, 105min) Elenco: James Franco, Freida Pinto, Andy Serkis, Brian Cox, Tom Felton, David Hewlett, John Lithhow Direção: Rupert Wyatt
P ara começar, é preciso dizer que “Planeta dos Macacos – A Origem” é mais do que um filme de bicho. Apesar de todo o apelo à compaixão humana pelos seres inferiores da cadeia alimentar, a franquia dirigida por Rupert Wyatt desbrava regiões mais obscuras e complexas das relações humanas e animalescas, tornando-se ao mesmo tempo ficção científica e um ponto de partida para discussões sociais, filosóficas e antropológicas.
Por outro lado, para conseguirmos chegar a esse nível de compreensão, é inevitável sentir uma punhalada no peito de angústia e inquietação diante do sofrimento imposto aos indefesos símios digitais. Aliás, a opção pela tecnologia computadorizada – uma inovação em toda franquia composta por sete longas-metragens (isso mesmo!) – apenas reforça o tom de humanização escolhido como condução para a história das origens de um planeta dominado por macacos, ou melhor, por símios (que comporiam uma raça superior ao dos macacos). Falando em humanização, a produção americana acerta principalmente no quesito sensibilidade. Cada olhar, expressão, gesto e ângulo de câmera – primando pelo equilíbrio e simplicidade – contribuem para explicar ao espectador a razão da iminência de uma verdadeira guerra entre raças. Um misto dos mais variados sentimentos, como dor, rejeição, saudade e respeito estão presentes, ainda que sem palavras, mas com toda a riqueza simbólica necessária. De fato, vemos mais que um enfrentamento brutal entre macacos e humanos na telona. O que move os novos macacos-mutantes são a razão e a emoção de um “povo” que foi subjugado desde sempre e que agora deseja liberdade e vingança. Tudo muito parecido com o Homo sapiens sapiens. É como se, por alguns instantes, pudéssemos nos colocar em um lugar de contemplação da própria humanidade durante o seu processo de desenvolvimento tecnológico e formação de uma consciência racional, ávida de poder. Uma metáfora como tantas outras na história do cinema, “Planeta dos Macacos – A Origem”, juntamente com uma retratação reflexiva da civilização humana, traz à tona o medo do homem em perder sua supremacia e de ter contra si o que lhe era sujeito ou até sua própria criação. Ainda como parte da construção de um cenário pautado no aspecto sensitivo, a questão do silêncio é crucial para entender este filme. A economia de diálogo e as cenas puramente visuais me fisgaram de tal maneira que o primeiro diálogo apresentado com legendas entre dois macacos me causou um baita estranhamento. Confesso que a escolha pelo artifício soou um tanto infantil e desnecessário no início, até que pudesse me acostumar finalmente à “novidade”. Na medida certa também se destacam o enredo que, sem muita genialidade, compre o seu propósito e a escolha dos atores, como James Franco - interpretando o cientista Will Rodman, no “papel principal”. Há de se destacar ainda a utilização da tecnologia de captura de movimentos, que possibilita ao ator Andy Serkis “dar vida” ao macaquinho Caesar. Esse artifício já havia sido empregado em outros filmes, como “King Kong” (versão de 2005) que, aliás, teve o mesmo ator como intérprete do primata-protagonista. Enfim, “Planeta dos Macacos – A Origem” é uma boa mistura de escolhas acertadas e que, principalmente, provoca e questiona.
Nota: --/10
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| Última atualização em Dom, 16 de Outubro de 2011 16:52 |
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Editores e Podcasters: Julio Affonso, Marlon Braga - Podcaster: Flavio Leal