| Enrolados |
| Sáb, 08 de Janeiro de 2011 21:39 |
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Filme: Enrolados (Tangled, EUA, 2010, 100min) Elenco: Mandy Moore, Zachary Levi, Donna Murphy Direção: Nathan Greno, Byron Howard
N ão vou mentir: Enrolados é provavelmento o filme de contos de fadas da Disney que mais se destoa da estória original que todos conhecem. Pra começar pelo título, que originalmente seria de fato "Rapunzel". Decisão essa que quando anunciada meses atrás foi motivo de algumas críticas. Hoje, vejo que foi uma decisão acertada, visto que já prepara a audiência para um filme não tão fiel ao original.
Porém, essa coisa toda da Disney ter um roteiro muito particular de uma estória clássica já é antiga. Todas as versões de contos de fadas da Disney são adaptadas, mas isso não chega a ser um problema, até porque já há várias versões para todos esse clássicos, e não há uma definição formal para qual é a "oficial". A Cinderella, por exemplo, é um conto muito popularizado tanto pelo francês Charles Perrault como pelos irmãos Grimm da Alemanha. E cada um escreveu sua versão, cada qual com suas diferenças. E aí? Qual a oficial? E ainda há várias outras versões, mais antigas que vão sendo adaptadas umas das outras, e fica difícil atribuir um autor original. E o mesmo ocorre com todos os demais contos clássicos. Assim sendo, porque a Disney não pode também ter sua própria versão? E graças a Deus ela o faz, senão a Ariel de A Pequena Sereia teria que morrer no final. Terrível, não?
Mas deixando de lado curiosidades wikipedianas, Enrolados acertou no roteiro, mostrando uma versão de Rapunzel, divertida, emocionante, e com conteúdo, podendo agradar crianças e adultos. Enrolados conta a estória de Rapunzel, uma princesa que tem cabelos muito longos, e também mágicos. Eles podem curar e manter a juventude de quem o tocar enquanto entoam uma canção. É claro que uma mulher acaba a raptando para fazer uso desse poder para si mesma. Assim, Rapunzel fica aprisionada numa torre desde bebê. Na véspera de seu aniversário de 18 anos, o divertido ladrão Flynn Rider, fugindo de alguns guardas, acaba descobrindo por acidente a tal torre, e se refugia lá. Com isso, a garota aproveita a oportunidade para convencê-lo de a ajudar a sair para ver misteriosas luzes que aparecem no céu todos os anos - coincidentemente - no dia de seu aniversário.
Evidentemente, essa sinopse não mostra adequadamente a elaboração do roteiro, porém assistindo, você verá que todos os detalhes da estória que omiti aqui, de fato fazem a diferença! A versão em 3D do cinema foi bem produzida, explorando bem a profundidade das cenas, trazendo ao espectador vários elementos de maneira muito bacana, mas sem excessos. O efeito foi colocado em momentos apropriados sem fazer do filme inteiro uma grande pirotecnia desnecessária.
Dublagem Normalmente eu gosto de filmes legendados, mas nada tenho contra dublagem. No caso particular de animações não tenho restrição alguma, afinal o próprio original já é uma dublagem. Porém tenho que fazer uma crítica monstruosa à versão dublada de Enrolados: A escolha de Luciano Huck para o papel de Flynn foi absolutamente desastrosa. Quando eu olho para um personagem na tela eu quero enchergar o personagem, não seu dublador. E infelizmente a voz de Huck é característica demais e acaba ressaltando ao personagem. Eu me via me esforçando para enchergar o ladrão engraçado do filme mas não adiantava: Ficava o tempo todo imaginando quando que ele ia soltar um "Rapunzel está no Caldeirããããoooo...". E pra piorar, mesmo que alguém consiga desvincular a imagem de Huck com o do personagem, a voz simplesmente não combina com o personagem... Aquela voz de pato nada tem a ver com o ar heroico que Flynn deveria passar. É por razões assim que sou absolutamente contra atores, apresentadores ou celebridades fazerem dublagem. O ideal é nunca conhecermos a cara dos dubladores. São raras as ocasiões em que um famoso dublando um personagem dá certo.
A fotografia do filme é muito bonita, em especial à cena das lanternas, que por algum motivo me remete à cena do passeio de lago de A Pequena Sereia. A música tem composição de Alan Menken, que conta com incríveis 8 Oscars (todos em filmes da Disney), e mais 9 indicações (sendo que algumas das vezes concorrendo consigo mesmo). Ou seja, o cara não é fraco. Porém eu fui para este filme com uma grande espectativa em relação às músicas, mas nenhuma se destacou para mim. Talvez ouvindo uma ou duas vezes mais a trilha eu mude e opinião, mas por hora não apostaria num Oscar este ano para o velho Menken. Mas ainda aposto em indicações, afinal o cara não é pouca merda. O resumo da ópera é que este é um filme com a cara da Disney. Com a magia da Disney. Um grande filme, e você não pode perder. Não sei se fará o grande sucesso que merece, mas os anos mostram que qualidade e legado nem sempre andam juntos com bilheteria. Vide vários sucessos da própria Disney. Mas torço que dessa vez andem.
Nota: 9/10
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| Última atualização em Qui, 27 de Janeiro de 2011 11:47 |
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Editores e Podcasters: Julio Affonso, Marlon Braga - Podcaster: Flavio Leal
Comentários
E os personagens secúndarios?
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